A importância do memorial descritivo na verificação da qualidade real de materiais em lançamentos

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A importância do memorial descritivo na verificação da qualidade real de materiais em lançamentos

Você já passou pela experiência de visitar um apartamento decorado, se encantar com o porcelanato brilhante, os metais de design arrojado e a sensação de amplitude, para depois descobrir que o imóvel entregue pela construtora não tem nada a ver com aquela vitrine? Pois é. O brilho nos olhos durante a visita é um terreno fértil para armadilhas que só aparecem na hora da vistoria final, quando o contrato já foi assinado e a ansiedade de receber as chaves dá lugar à decepção.

A chave para evitar essa dor de cabeça não está na promessa do corretor ou na beleza do material publicitário, mas em um documento técnico que muita gente ignora: o memorial descritivo.

O que realmente compõe o seu investimento

Imagine que você está fechando negócio em um lançamento na planta. No material de venda, consta a frase “acabamentos de alto padrão”. O problema é que, no mundo da construção civil, o conceito de alto padrão é subjetivo. Para a construtora, pode significar uma marca de torneira que você desconhece. Para você, pode ser algo totalmente diferente.

O memorial descritivo é o documento que detalha, item por item, o que será entregue. Ele especifica a marca do piso, o tipo de impermeabilização das paredes, a espessura do vidro das janelas e até a marca do disjuntor elétrico. Quando você ignora esse papel, você está comprando um sonho baseado em suposições. Se o memorial diz que o piso da sala será “cerâmica de primeira linha”, saiba que isso permite uma margem de manobra muito maior para a construtora do que se estivesse especificado “porcelanato retificado marca X, dimensão 90×90”. A precisão dos detalhes é a sua maior garantia de que o valor investido será mantido.

Identificando onde a economia oculta acontece

É comum observar construtoras tentando otimizar custos em áreas que o comprador raramente percebe até que o problema surja. Um erro clássico é não conferir a especificação da pintura ou a marca das louças sanitárias. Em muitos casos, o memorial descritivo indica materiais que, embora atendam às normas técnicas mínimas, possuem uma durabilidade muito inferior ao que o comprador esperava receber por um imóvel de determinado valor.

Ao analisar o documento, busque sempre por marcas reconhecidas e especificações técnicas claras. Desconfie de termos genéricos como “ou equivalente”. Essa pequena cláusula dá o direito legal para a empresa trocar um material de excelente qualidade por um similar de custo muito inferior, desde que cumpram a mesma função básica. É aí que o seu projeto de valorização imobiliária pode sofrer um impacto negativo imediato, pois a qualidade dos acabamentos dita o ritmo de depreciação do bem ao longo dos anos.

Verifique a espessura e a marca das tintas utilizadas nas paredes internas e externas;

Cheque a marca das ferragens e fechaduras, itens que costumam ser trocados por modelos mais baratos;

Exija a especificação técnica de revestimentos, incluindo se são retificados ou não;

Confira se há menção à infraestrutura para ar-condicionado e se ela inclui apenas a tubulação seca ou o cabeamento completo.

A segurança de um olhar técnico

Muitos compradores recorrem a um arquiteto ou engenheiro de confiança apenas na fase de reforma, mas o ideal é ter esse apoio antes de assinar o compromisso de compra. Um profissional experiente sabe ler as entrelinhas desse documento. Ele consegue identificar se o material escolhido para a fachada exigirá uma manutenção cara em pouco tempo ou se as janelas oferecem o isolamento acústico prometido na propaganda.

O mercado imobiliário lida com sonhos, mas a construção civil trabalha com normas e especificações técnicas. Tratar o memorial descritivo como uma peça burocrática é um erro que custa caro. A diferença entre um imóvel que se valoriza com o tempo e um que exige gastos constantes em reparos logo nos primeiros anos de uso reside, quase sempre, na clareza do que foi acordado lá atrás. Antes de assinar qualquer contrato, dedique um tempo a entender o que está por trás daquelas paredes. A transparência do memorial é a medida exata da seriedade da construtora com o seu patrimônio.